quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Exposição coletiva de artes plásticas assinalou o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres - 25 de Novembro

 
De 25 de Novembro a 10 de Dezembro esteve patente, no Edifício da Recreio dos Artistas em Angra do Heroísmo, uma exposição coletiva de artes plásticas intitulada Uma Comunidade Ativa contra a Violência que assinalou o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres - 25 de Novembro. Pretendeu-se através da arte, sensibilizar a população em geral para a problemática da violência sobre as Mulheres e desigualdades de género. 
Esta iniciativa, promovida pela Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade e coordenada pela UMAR, realizou-se no âmbito da Campanha de Proximidade e integrou-se na Campanha Nacional contra a Violência Doméstica contra as Mulheres que foi realizada em parceria com várias entidades em diversos distritos do país através de acções com impacto junto de diferentes públicos.
Para a ilha Terceira foram parceiros do projeto a Associação Geração de Amanhã através da Re.Act – refunction art.studio.
Participaram na exposição as artistas Bárbara Barcelos (Fotografia), Eduarda Meneses (Pintura e Escultura), Marcídia Berenguer (Pintura), Netti Kuhl (Desenho e Pintura), Sara Leal (Fotografia) e Sara Sales (Desenho Pontilhismo).
 
“Violência no Feminino” - Autora: Maria Eduarda Meneses
 
"Violência versus Libertação" – Autora: Maria Eduarda Meneses
 
“Teatro Transtorno no Mundo” - Autora: Marcídia Berenguer
 
Publicado no jornal Diário Insular de 21 de Dezembro de 2016
 
 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Inauguração de Exposição Coletiva de Artes Plásticas na Recreio dos Artistas a 25 de Novembro - Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres

CONVITE
 
 
A UMAR Açores / CIPA convida-o(a) para a inauguração da Exposição Coletiva de Artes Plásticas - Uma Comunidade Ativa contra a Violência, que assinala o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres - 25 de Novembro.
 
Esta, terá lugar no próximo dia 25 de Novembro (sexta-feira)
pelas 20h30 no Edifício da Recreio dos Artistas
na Rua da Rosa s/n 1º Andar em Angra do Heroísmo
na Delegação da ilha Terceira da UMAR Açores / Cipa.
 
Expõem as Artistas:
Bárbara Barcelos - Fotografia (1)
Eduarda Meneses - Pintura e Escultura (2)
Marcídia Berenguer - Pintura (3)
Netti Kuhl - Desenho e Pintura (4)
Sara Leal - Fotografia (5)
Sara Sales - Desenho Pontilhismo (6)
 

Esta iniciativa realiza-se no âmbito da Campanha de Proximidade e integra-se na Campanha Nacional contra a Violência Doméstica contra as Mulheres que será realizada em parceria com várias entidades em diversos distritos do país através de ações de rua com impacto junto de amplos públicos.

Esta campanha está a ser promovida pela Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade e coordenada neste âmbito pela UMAR, de modo a assinalar o DIA INTERNACIONAL PELA ELIMINAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES - 25 de Novembro.

 
Para a ilha Terceira são parceiros do projeto a Associação Geração de Amanhã através da Re.Act – refunction art.studio.
 
Se pretender visitar a exposição fora do período normal de abertura ao público, poderá contactar a Associação através dos seguintes telefones: 295 217 860 / 968 687 479, ou para o e-mail: umarterceira@gmail.com
 
Participe e ajude-nos a divulgar!
Obrigada
 
Informação sobre as Artistas, número de Obras e respetivas categorias
 
(1) Bárbara Barcelos – 3 Obras - Fotografias
Biografia - Bárbara Barcelos, açoriana natural da Praia da Vitória, ilha Terceira. No secundário estudou Artes Visuais na Escola Secundária Vitorino Nemésio e prosseguiu licenciatura em Artes e Design na escola de Educação no Instituto Politécnico de Bragança. 2016 – Formação Inicial de Formadores, pela ACDA. 2012 - 2016 – Licenciatura Artes e Design, pelo Instituto Politécnico de Bragança.
(2) Eduarda Meneses - 2 Obras - Pintura e Escultura
Biografia – Maria Eduarda Fagundes de Menezes, nasceu em 1954 na freguesia das Lajes, Ilha Terceira.Fez Pós-graduação em Educação Visual e formação contínua no domínio da Expressão Plástica e do Ensino, lecionando Educação Visual e Tecnológica, na Escola Básica e Integrada da Praia da Vitória.
(3) Marcídia Berenguer - 1 Obra - Pintura
Biografia – Marcídia Maria Gomes da Costa Berenguer, reside na Praia da Vitória, fez formação em desenho e pintura no Atelier da Santa Casa Da Misericórdia.
Participou em exposições colectivas de pintura do evento cultural "Outono Vivo" entre 2012 e 2013. Participou também na exposição sobre "sismo de 1 de janeiro de 1980", em Praia da Vitória, com acrílico com o título 15:42.
Em 2003, participou da exposição colectiva do Auditório do Ramo Grande.
No ano de 2001 participou da exposição nos Paços do Concelho da cidade onde reside.
(4) Netti Kuhl - 3 Obras - Desenho e Pintura
Biografia - Herzberg / Leipzig / Germany ; Formação em educação artística. No seu percurso artístico rege-se pelas ideias de: alcançar, colher, dar.
(5) Sara Leal - 1 Obra - Fotografia
Biografia - Sara Leal cresceu ilhéu com a brisa do mar a entrelaçar-lhe o cabelo. Gostava de bater à máquina, de criar mundos enquanto brincava com a imaginação. Licenciou-se em Publicidade e Marketing, em Lisboa. Trabalhou em grandes eventos internacionais, onde conheceu imensa gente. Mas queria contar outro tipo de histórias, ver ainda mais do mundo e continuar a sonhar. Mudou-se para outra ilha, a grande maçã (NYC), para estudar e trabalhar em cinema. Estreou uma curta no festival New Filmmakers NY do mítico Anthology Archives.
Regressou ao meio do Atlântico para filmar um projecto e foi-se deixando ficar, de projecto em projecto, como o balanço do mar. Expôs no Museu de Angra do Heroísmo, na galeria do Instituto Açoriano de Cultura e na Re.Act Art Gallery (Praia da Vitória).
Actualmente está na fase final de duas longas metragens - uma ficção documental e um documentário.
Gosta de trocar ideias, gargalhadas, viajar e escrevinhar no bloco de notas.
(6) Sara Sales – 2 Obras - Desenho Pontilhismo
Biografia - Sara Sales Violante natural da Praia da Vitória, ingressou no Curso de Artes Visuais na escola Vitorino Nemésio, e em 2010 na faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa no curso de design de equipamento. Frequentou também o curso de web design na escola Lisbon School of Design no ano de 2014 em Lisboa.
 

DESTAQUE DO MÊS DE NOVEMBRO DE 2016

ANA ISA CABRAL
 
Fotografia António Bettencourt
 
Nunca me senti descriminada por ser mulher, apenas por ser jovem e talvez irreverente. Contudo, acho que foi a minha irreverência que me trouxe onde estou hoje.
 
Ana Isa dos Santos Cabral tem 29 anos e é licenciada em comunicação social e cultura. Profissionalmente exerce funções de assessora de imprensa e é presidente do TAC – Terceira Automóvel Clube.
 
Como começou e o que a motivou a organizar provas de automobilismo?
Comecei a envolver-me nas organizações com 16 anos. O meu irmão mais velho e alguns amigos que tínhamos em comum colaboravam com o TAC na vertente da segurança, o que de certa forma me influenciou a aceitar envolver-me neste mundo. Em abril de 2004, fiz segurança pela primeira vez numa edição do Rali Sical, tendo acompanhado muito de perto todos os aspetos que envolviam a prova, em especial aquela, que ficou marcada por uma grande mudança nos ralis açorianos. Ganhei o gosto pela modalidade na mesma hora e a partir daí fui ganhando igualmente a confiança das organizações por ser motivada, empenhada e com vontade de fazer sempre mais, o que me trouxe a esta posição agora.
 
Como é colaborar com um desporto maioritariamente associado ao masculino?
Eu integro-me muito bem e posso garantir que no mundo do automobilismo não existe discriminação por género. Muito pelo contrário. É um mundo onde melhor me sinto. A minha integração correu bem desde o início e nunca tive qualquer tipo de problema relacionado com isso com as pessoas envolvidas nesta área. Sempre me senti muito acarinhada e apoiada pelos homens e mulheres no mundo dos ralis.
Todas as dificuldades que enfrentei ao longo deste anos no TAC nunca estiveram relacionadas com falta de integração ou qualquer tipo de discriminação.
 
Alguma vez sentiu que não lhe era dada a devida credibilidade por ser Mulher?
Sim. Quando fazia segurança nos ralis isso aconteceu-me algumas vezes. Eu era demasiado pequena para conseguir impor o respeito desejado que aquela função exige e muitas vezes não era levada a sério pelo público pelo facto de ser mulher. Essa foi uma das razões que me levou a deixar de fazer segurança na estrada e passar a assumir outras funções no clube. A partir daí, nunca mais passei por qualquer situação semelhante.
 
Sobre as Mulheres vítimas de violência doméstica
Se por um lado, acho que a sociedade em geral olha para essas mulheres com pena, também acho que nos dias de hoje a sociedade tem uma grande facilidade de julgar alguém que seja vítima de violência doméstica por não apresentar queixa e por se sujeitar a isso, antes de tentar colocar-se no lugar do outro e perceber os motivos que levaram a essa situação. Cada caso é um caso, há inúmeras situações diferentes e não podemos generalizar.
Na minha opinião, quem passa por casos de violência doméstica deve ser tratado com respeito, pois são situações muitos complicadas e encaradas de forma diferente por cada um que por elas passa. Contudo, também acho que a sociedade ainda tem alguma dificuldade em identificar tipos de violência como a emocional ou a social, em que a pressão psicológica e a perturbação e invasão da vida privada são muitas vezes piores do que a agressão física. Neste contexto, o trabalho desenvolvido por associações como a UMAR Açores contribui para a educação em relação não só à violência doméstica, mas principalmente na defesa dos direitos das mulheres e na promoção da igualdade de género. É muito importante estar próximo das pessoas, não só para dar resposta a todas aquelas que necessitam, como para defender aquele que é um direito e um dever de todos os cidadãos. A formação nesta área é fundamental e só é possível graças à mensagem que a UMAR Açores e outras instituições do género incutem na sociedade, porque infelizmente, ainda encontramos pessoas nos dias de hoje que ainda não sabem respeitar a igualdade de género.
 
O que aconselharia a outras Mulheres que gostariam de assumir um papel determinante na sociedade?
Que ousem arriscar. Quando as nossas capacidades são colocadas à prova, somos capazes de tudo para superar, até descobrirmos que afinal conseguimos ir mais além do que imaginávamos. Não podemos ter medo de falhar, porque sabemos que errar é humano, mas nunca poderemos ter medo de tentar. Trabalhar todos os dias para se ser melhor e para alcançar os nossos objetivos. Não criar expetativas para não ficar dececionado, mas esperar sempre o pior para ficar surpreendido quando acontece o melhor. Estar rodeado de pessoas de quem gostamos e que acreditam em nós é o melhor segredo para o sucesso, pois o apoio é fundamental, principalmente nos piores momentos.
No meu caso, tenho orgulho de ser uma mulher na posição de presidente do TAC porque sei que sou respeitada pelos homens e mulheres envolvidos neste meio.
 
Publicado no jornal Diário Insular de 18 de Novembro de 2016
 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

5º Workshop de Defesa Pessoal Feminina - KRAV MAGA – 19 Nov. 2016

CONVITE
 
 
Estão abertas as inscrições para 5ª edição do Workshop de Defesa Pessoal Feminina resultante de uma parceria entre a UMAR Açores / CIPA e a Delegação da Federação Portuguesa de KRAV MAGA nos Açores.

Este, terá lugar no próximo dia 19 de Novembro de 2016 (sábado) entre as 14h00 e as 16h00, no ginásio Best of Bowling em Angra do Heroísmo.

Esta iniciativa realiza-se no âmbito das actividades da UMAR Açores / Cipa para assinalar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher – 25 de Novembro.

O principal objectivo deste Workshop consiste no treino de estratégias de prevenção e defesa perante situações de perigo e ameaça física.

A participação é gratuita e aberta a todas as interessadas, que poderão efectuar a sua inscrição através dos seguintes contactos telefónicos:
295 217 860 / 968 687 479, ou para o e-mail: umarterceira@gmail.com.

Participe e ajude-nos a divulgar!
Obrigada
 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Mulheres refugiadas enfrentam violência sexual e de género na Europa

 
As mulheres refugiadas que tentam entrar na Europa são frequentemente mais vulneráveis à violência sexual e de género nos seus países de origem, de trânsito e de destino e enfrentam violência sexual nos centros de acolhimento sobrelotados na União Europeia (UE). Este cenário é descrito pelo relatório sobre a situação das mulheres refugiadas e requerentes de asilo na UE, discutido e aprovado a 8 de Março de 2016 pelo Parlamento Europeu em Estrasburgo. Simbolicamente apresentado no Dia Internacional da Mulher, o documento explica também que muitas das refugiadas não estão a fugir necessariamente de cenários de guerra, como é o caso da Síria. Procuram asilo para não serem sujeitas, nos países de origem, a “violação, mutilação genital feminina, casamento forçado, violência doméstica e os chamados crimes de honra”.
Existem relatos de mulheres que afirmaram terem sido forçadas a manter relações sexuais como moeda de troca para "pagar" pelas documentações necessárias para viajar ou mesmo pela própria viagem. Em alguns casos, mulheres e meninas foram tão relutantes em adiar a sua partida e a das suas famílias que se recusaram a denunciar crimes de violência sexual e de género, ou mesmo a procurarem assistência médica. Mesmo aquelas que viajam com a família são vulneráveis a abusos. Muitas vezes, por medo, não relatam os crimes e acabam por não receber o atendimento que necessitam. Algumas contam que chegaram a casar por desespero.
Mediante as restrições impostas pelos governos e com o aumento do controlo das fronteiras, as instalações de recepção e de trânsito ficaram sobrelotadas e sob tensão, elevando ainda mais os riscos para as mulheres e meninas. Além disso, refugiadas e migrantes desesperadas recorrem a rotas ainda mais perigosas nas mãos de abusadores e criminosos.
A resposta humanitária nas rotas do mediterrâneo oriental e pelos Balcãs ocidental, tem tentado dar prioridade à prevenção da violência sexual e de género em todas as actividades implementadas. A capacidade de prevenir, identificar e responder de forma adequada, no entanto, depende em grande parte dos Estados e agências da União Europeia em assumir as suas responsabilidades e adoptar medidas eficazes. Observa-se que a actual resposta dos governos, organizações humanitárias, instituições e agências da União Europeia e organizações da sociedade civil são inadequadas e não conseguem evitar e responder com eficácia ao perigo, exploração e múltiplas formas de violência de género que mulheres e meninas enfrentam por toda a Europa.
O relatório destacou algumas recomendações-chave para os governos e agências da União Europeia. Desde logo, estabelecer um sistema de resposta coordenada para a protecção de mulheres e meninas dentro e fora das fronteiras. Reconhecer os riscos de protecção, capacitar funcionários e criar procedimentos específicos para prevenir, identificar e responder à violência sexual e de género. Garantir que as respostas à violência sexual e de género não façam com que as mulheres parem de denunciar os acontecimentos, ou deixem de aceder a esses serviços e fornecer vias legais para a protecção, especialmente para mulheres, crianças e sobreviventes de violência sexual e de género, incluindo o reagrupamento familiar, e a prioridade de realojamento e reinstalação para refugiado/as com necessidades específicas.
Ainda relativamente ao relatório sobre a situação das mulheres refugiadas e requerentes de asilo na UE, os únicos três países citados são o Afeganistão, o Iraque e a Somália, dos quais entraram na Europa 145 mil, 103 mil e 22 mil pessoas desde 2014, respectivamente, de acordo com os números do Eurostat e da Frontex recentemente compilados pela revista The Economist.
A resolução alarga de forma implícita o conceito de exilado político, nele incluindo mulheres e pessoas homossexuais, bissexuais, transgénero e intersexuais que são “alvo de formas específicas de perseguição”. Tais situações “demasiadas vezes não são reconhecidas nos procedimentos de asilo”, mas constituem “motivos válidos”.
O texto sustenta que a violência contra as mulheres, meninas e minorias sexuais (descritas como “grupos vulneráveis”) é “prática corrente nos centros de acolhimento” de refugiados. Sublinha abertamente a alegada existência de “violações dos direitos humanos cometidas pela Frontex”, assim como por forças de segurança ou defesa dos países europeus e de países terceiros que têm cooperado com a Frontex, a agência europeia de controlo de fronteiras que a Comissão Europeia quer reorganizar nos próximos meses.
Ainda que sejam apresentados alguns números no relatório – 55% dos refugiados que chegaram à Grécia em Janeiro último eram mulheres e crianças, e 20 mil mulheres e meninas que todos os anos pedem asilo nasceram em países que praticam a excisão genital – reconhece-se que “é difícil compilar estatísticas”. “Fizemos o melhor que podíamos, contactámos as Nações Unidas, usámos o Eurostat e recorremos a organizações credíveis, como a Amnistia Internacional, mas nesta matéria a realidade muda todos os dias.
 
Fonte: ACNUR - Agência da ONU para Refugiados

Publicado no jornal Diário Insular de 8 de Setembro de 2016
 
 
 


quarta-feira, 27 de julho de 2016

DESTAQUE DO MÊS DE JULHO DE 2016

CAROLINA ROCHA
 
 
 
Mestre em Artes Plásticas pela Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, Carolina Alexandra de Melo Rocha, tem 29 anos e actualmente desempenha a sua actividade profissional como artista plástica e técnica de cenografia. Recorda-se de ser bem pequena e de ter curiosidade relativamente à plasticidade dos materiais. Gostava imenso de tarefas relacionadas com a expressão plástica. Durante a minha infância e adolescência, frequentei aulas de pintura e expressão plástica promovidas pela Oficina de Angra. Foram oportunidades de formação, sobretudo prática, interessantes porque consegui explorar diferentes materiais e perceber eventuais caminhos.
Também a fotografia foi motivo de interesse durante o seu percurso académico universitário. Conheci algumas autoras que me despertaram a curiosidade para esse meio visual, nomeadamente Cindy Sherman, Sophie Calle e Francesca Woodman. Fiz várias experiências e finalizei alguns trabalhos nesse contexto. No entanto, atualmente não é um meio visual que utilize no meu trabalho de artes plásticas.
 
Dificuldades de integração profissional
Pessoalmente as maiores dificuldades que senti desde que terminei a minha formação estão relacionadas com o tempo em que vivemos. A situação atual portuguesa não é muito animadora, o que obriga a pessoa a estar preocupada em garantir um futuro que não dá indícios de ser muito risonho. Ainda assim, com os recursos, o tempo e as oportunidades possíveis desenvolvo um trabalho de artes plásticas. Percebendo que o caminho faz-se caminhando e que a determinação e a esperança são elementos fundamentais, os erros e as dificuldades são importantes para a pessoa evoluir.
 
As artes e a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens
Atualmente continuam a existir mais artistas homens do que mulheres. Na minha opinião, tal situação poderá ficar a dever-se ao facto de ainda haver uma separação e definição do papel do homem e da mulher na sociedade. No século XXI, por motivos de subsistência é fundamental para a maioria dos artistas plásticos desenvolver em paralelo com as artes plásticas outra atividade profissional. Observo em muitos casais jovens que a mulher, para além de ter a sua atividade profissional, é a principal responsável pela educação dos filhos e pelas tarefas domésticas. Neste tipo de contexto, o homem tem muito mais tempo para se dedicar à sua profissão, nomeadamente as artes plásticas. É importante que nesse aspeto haja uma mudança de igualdade de género e partilha de tarefas.
 
Sobre discriminação
Nas artes plásticas creio que nunca senti esse tipo de situações (de discriminação). Mas enquanto mulher sim, exatamente pela definição de papéis socialmente pré estabelecidos e por a mulher ser considerada, em alguns contextos, um ser frágil. Considero que deve existir em condições semelhantes igualdade de oportunidades pessoais e profissionais.
 
Sobre a violência doméstica
Na minha opinião, existe uma indiferença social relativamente às mulheres que são vítimas de violência doméstica. Infelizmente, pelo que observo, comportamentos e frases como “entre marido e mulher não se mete a colher” continuam bem presentes na nossa atualidade. Deparo-me também com opiniões de pessoas que pensam que a mulher é vítima de violência doméstica porque assim o deseja. Penso que é um tema que necessita de ser mais debatido. Torna-se fundamental que as pessoas denunciem e se organizem contra todo o tipo de violência e discriminação. Neste contexto, Associações como a Umar, que têm o papel de lutar pelos direitos das mulheres são sempre importantes numa sociedade como a nossa. Apesar de haver muita informação disponível e de fácil acesso a todos, os problemas permanecem e é sem dúvida importante haver uma instituição que intervenha e aborde as problemáticas para que as pessoas se sintam orientadas.
 
Principais Exposições
- 2016    “Flash Back”, Carpediem, Lisboa
- 2016    “Flash Back”, Círculo de Artes Plásticas, Coimbra
- 2015    “Prémio Internacional de Pintura 2015”, Focus Abengoa Foundation, Sevilha
- 2015    “Mistérios de Tinta”, Museu de Angra do Heroísmo, Angra do Heroísmo
- 2012    “Mostra Labjovem 2012”, exposição itinerante
- 2011    “Quem são eles? Evocação dos 40 anos da galeria Ogiva”, galeria Nova Ogiva, Óbidos
- 2010    “Exposição de Finalistas na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha", Caldas da Rainha
 
 
Outros Destaques
- 2015   Selecionada para a exposição “Prémio Internacional de Pintura 2015”, da Fundação Focus Abengoa
- 2014    2º e 3º Selecionado/as, no concurso de artes plásticas “Labjovem” 2014
- 2012/2013 Bolsa de “Criação Artística”, Artes Plásticas, da Direção Regional da Cultura dos Açores
- 2012 1ª Selecionada no concurso de artes plásticas “Labjovem” 2012
- 2012 1º Prémio no concurso “A Mulher e a Água”, 2012
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 27 de Julho de 2016
 
 


quarta-feira, 22 de junho de 2016

A Violência no Namoro é crime



A Violência no Namoro, muito embora seja uma problemática presente nas sociedades patriarcais, só há pouco tempo começou a ser encarada com maior atenção. Nos dias de hoje, é considerada como um problema de saúde pública e encontra-se na agenda política nacional e internacional. Esta constitui uma violência nas relações de intimidade e violência de género, resultado das relações desiguais de poder, em que uma das partes da relação, na maior parte das vezes o homem/rapaz, tenta impor a sua força submetendo a vítima a comportamentos de poder e de controlo.

Dada a sua dimensão e o seu alargado reconhecimento, este fenómeno integra a tipologia legal da Violência Doméstica. Muito embora a sua introdução legal seja comumente indicada para o ano de 2013, a violência no namoro é criminalizada desde 2007, através da alínea b) do artigo 152.º do Código Penal, após alteração pela Lei nº 59/2007 que “ Quem, de modo reiterado ou não, infligir maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais, privações da liberdade e ofensas sexuais: b) A pessoa de outro ou do mesmo sexo com quem o agente mantenha ou tenha mantido uma relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem coabitação”. A expressão “relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem coabitação”, indicava já a inclusão de relações que, embora não estivessem sob um contrato de casamento ou numa relação de união de fato, mantinham uma relação de intimidade. Também as relações de intimidade violentas entre casais de pessoas do mesmo sexo, gays ou lésbicas, estão igualmente incluídas neste mesmo artigo da alteração do Código Penal de 2007. Ainda assim, a Lei n.º 19/2013 veio integrar de forma mais explícita a violência nas relações de namoro: “A pessoa de outro ou do mesmo sexo com quem o agente mantenha ou tenha mantido uma relação de namoro ou uma relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem coabitação”. Para além disso, o Código Penal vem também nesse ano (2007) enquadrar as relações violentas em casais homossexuais.

A UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta tem vindo a desenvolver alguns estudos junto de jovens, no âmbito do seu trabalho de prevenção primária da Violência de Género em contextos educativos. O último estudo (Fevereiro de 2016) abrangeu cerca de 2500 jovens com idades entre os 12 e os 18 anos, cuja média de idades se centra nos 14 anos, e foi desenvolvido nos distritos do Porto, Braga e Coimbra. A análise dos dados, recolhidos, foi dividida em duas perspectivas essenciais: a) a prevalência da vitimação nas relações de namoro e b) a legitimação dos actos violentos pelos/as jovens.

Fazendo uma análise temporal dos estudos desenvolvidos pela UMAR nesta matéria, podemos concluir que, há um aumento nas questões da vitimação. Ainda assim, esta ilação não nos diz necessariamente que a vitimação aumentou pois poderá representar também um aumento de consciência dos/as jovens acerca dos comportamentos violentos nas suas relações de intimidade. É, de facto de extrema importância salientar que a violência no namoro é crime e que os/as jovens devem procurar aconselhar-se com um/a adulto/a de confiança que possa encaminhar a situação para os/as técnicos/as especializados/as.

Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 21 de Junho de 2016

Prevenção da Violência no Namoro

Ao longo da última década, a delegação da UMAR Açores na ilha Terceira tem vindo a desenvolver diversas acções de prevenção para a violência no namoro em diferentes contextos e para variados públicos alvo. Estas iniciativas assentam essencialmente na erradicação de preconceitos associados às discriminações em função do género, bem como na sensibilização para os sinais de abuso (verbal, psicológico, físico, sexual ou outros) nos relacionamentos íntimos. De uma forma geral procuramos promover o desenvolvimento de relacionamentos saudáveis, prevenindo a violência doméstica em relacionamentos futuros e em simultâneo informar sobre os direitos e recursos de apoio para quem é vítima de violência no namoro. Para mais informações sobre o nosso trabalho, poderá contactar a delegação da UMAR Açores na ilha Terceira no Edifício da Recreio dos Artistas em Angra do Heroísmo ou através dos telefones 295 217 860 / 968 687 479 ou e-mail umarterceira@gmail.com.
 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Combate à homofobia e à transfobia: tempo de celebrar e de denunciar



No passado dia 17 de maio, por ocasião do primeiro Dia Nacional de Luta Contra a Homofobia e a Transfobia (instituído por unanimidade no Parlamento no ano passado), a Associação ILGA Portugal, congratulou-se pelo caminho percorrido no nosso país no reconhecimento dos direitos das pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e trans), que culminou com o recente alargamento das técnicas de procriação medicamente assistida a todas as mulheres, incluindo casais de mulheres e mulheres solteiras. Ao mesmo tempo, quisemos denunciar e tornar visível a discriminação que ainda persiste em várias dimensões da realidade social, profissional, familiar, nos espaços públicos, nas relações de intimidade e no acesso a bens e serviços como a saúde, segurança, justiça ou educação. Com esse intuito, no mesmo dia, publicámos, pelo terceiro ano consecutivo, os resultados do Observatório da Discriminação em Função da Orientação Sexual e da Identidade de Género, desta vez relativos às denúncias registadas, de forma anónima e confidencial, durante o ano de 2015. São situações com origem em todo o país, cujos relatos nos devolvem um retrato de profundas marcas psicológicas, sociais e, nalguns casos, físicas, revelando o muito que há ainda por fazer para que a igualdade se concretize, nomeadamente ao nível da educação e preparação de profissionais em áreas estratégicas-chave. Ao mesmo tempo, revelam também aquilo que é o resultado de uma maior visibilidade e conhecimento dos direitos: com efeito, 24% das situações foram denunciadas a diversas instâncias, uma percentagem ainda bastante baixa e que espelha o peso do silêncio, mas que representa uma subida substancial relativamente a anos anteriores. Trata-se também de algo que pode significar um esforço por parte dos serviços de apoio a vítimas, designadamente as forças de autoridade, para aumentar o conhecimento da realidade das pessoas LGBT e contrariar as expetativas da discriminação que frequentemente lhes são atribuídas. A Associação ILGA Portugal tem desenvolvido um esforço nesse sentido, promovendo ações de sensibilização junto destes profissionais, e está atualmente a coordenar o projeto internacional UNI-FORM: bringing together NGOs and Security Forces to tackle hate crime and on-line hate speech against LGBT persons, financiado pela Comissão Europeia e que tem como objetivo conhecer melhor o fenómeno dos crimes de ódio e violência contra pessoas LGBT, assim como os baixos números de denúncias a autoridades competentes e a criação de um mecanismo único de denúncia a nível europeu. Apesar do esforço para quebrar o silêncio, as queixas continuam a chegar maioritariamente de Lisboa e do Porto. Fora dos grandes centros urbanos, e sobretudo nas regiões autónomas, onde o isolamento muitas vezes se faz mais sentir, muito fica por saber. Denunciar é tornar visível e contribuir para a mudança. Pode fazê-lo em observatorio.ilga-portugal.pt.
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 26 de Maio de 2016
 
 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

25 de Abril, Sempre

 
O 25 de Abril abriu-nos portas para a liberdade de agir e de pensar, para o acesso à educação, para o direito à saúde, à habitação digna, para um emprego com direitos, para uma vida sexual livre e desejada. Abriu as portas para os nossos direitos como Mulheres, negados e reprimidos durante 48 anos de ditadura.
Quarenta e dois anos depois da Revolução dos Cravos, é importante relembrar a situação anterior da Mulher na sociedade portuguesa.
Até 1974, a Mulher era vista apenas como mera dona de casa, mãe, companheira e pouco mais. Muito poucas eram as que trabalhavam, e as que o faziam ganhavam cerca de 40% menos do que os homens. A Mulher, face ao Código Civil, podia ser rejeitada pelo marido no caso de não ser virgem na altura do casamento e o casamento católico, por sua vez, era indissolúvel. As mães solteiras não tinham direito a qualquer protecção.
O Código Penal permitia matar a Mulher em flagrante adultério, sofrendo apenas um desterro de seis meses. Até 1969, a Mulher não podia viajar para o estrangeiro sem uma autorização do marido ou do pai. Estavam impedidas de exercer determinadas profissões e só podiam votar quando fossem chefes de família e se possuíssem um curso médio ou superior. No que concerne à saúde sexual e reprodutiva, os médicos não estavam autorizados a receitar contraceptivos orais.
O aborto era punido em qualquer circunstância. Com o 25 de Abril de 1974 abriram-se as portas para a conquista de um lugar digno na sociedade. A Mulher portuguesa deixou de ser vista apenas como a filha, esposa ou mãe e passou a ser encarada também como cidadã. Pôs-se fim à discriminação. As Mulheres do 25 de Abril travaram uma luta reivindicativa, económica e social pela defesa das suas liberdades. Uma luta pelo direito ao trabalho e à igualdade na sociedade, ao nível laboral, familiar, na participação social, política, cultural e até mesmo desportiva. No entanto, 42 anos depois, não podemos deixar que todas estas conquistas adquiridas por nós, Mulheres, sejam novamente postas em causa. O aumento do custo de vida, os baixos salários e o desemprego estão a pôr novamente em causa a vida das famílias e em particular das Mulheres. As políticas aplicadas pelos governantes destroem a coesão social e causam a instabilidade no seio das famílias e, como consequência, acentua-se muitas das vezes o fenómeno da violência. Não podemos, por isso, permitir que haja um recuo nos direitos alcançados, pois isso significará aceitar a discriminação e o papel secundário para o qual nos querem remeter… Vivam as Mulheres! Viva o 25 de Abril! Viva a liberdade!
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 21 de Abril de 2016
 


UMAR Açores assinalou 8 de Março

Dia Internacional da Mulher
 
Sara Reis e Marco Freitas em 'Se me amas, prova-o'
 
Com o objectivo de assinalar o Dia Internacional da Mulher – 8 de Março, a UMAR Açores na ilha Terceira com o apoio da Casa do Sal - Oficina D´Angra e Associação Juvenil Jaçor – Juventude dos Açores, promoveu no passado dia 5 de Março, na Casa do Sal, uma iniciativa cultural com a colaboração do Grupo de Teatro A SALA - através de uma pequena encenação sobre a violência no namoro intitulada 'Se me amas, prova-o' - e dos músicos Maria Bettencourt e Luís Gil Bettencourt em concerto acústico.
A Associação agradece publicamente a participação e disponibilidade demonstradas pelo Grupo de Teatro A SALA, pelos músicos Maria Bettencourt e Luís Gil Bettencourt, bem como pelos elementos da Direcção da Casa do Sal - Oficina D´Angra.
Ainda no âmbito do plano de actividades da Associação para o ano de 2016 e em parceria com a União de Sindicatos de Angra do Heroísmo foi assinalado o Dia Internacional da Mulher, através da realização de uma sessão de sensibilização para a igualdade de género e de oportunidades entre mulheres e homens, dirigida a delegado/as sindicais e dinamizada pelo sociólogo da delegação da Associação na ilha Terceira.
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 21 de Abril de 2016
 
 
 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Vítimas e predadores

Eva Anadón Moreno, a activista espanhola expulsa de Moçambique.

Na mesma semana em que somos confrontados com a notícia de que uma operadora ferroviária alemã decidiu criar carruagens exclusivas para mulheres nalguns comboios, recebemos a notícia da extradição por parte das autoridades moçambicanas de uma cidadã espanhola, na sequência de uma acção de rua contra um decreto governamental que proibe o uso de saias curtas por parte das estudantes em Moçambique. Que conexão existe entre estas duas notícias? Em ambas, a justificação:  “para as proteger”!

A velha narrativa do sexo forte e do sexo fraco vem logo ao de cima. A ideia de que os fracos (neste caso é mesmo as mulheres e as meninas) se devem proteger dos perigos. E logo nos lembramos de burkas, de véus, de corpos totalmente ocultados e pensamos que isso é lá longe, em países distantes e culturas atrasadas. Na Índia, no México, no Japão ou no Brasil como forma de prevenir as mulheres de agressões sexuais são frequentes carruagens exclusivas para mulheres. Isso é lá, aqui na Europa nem pensar!

Insidiosamente, vai-se instalando o medo e os resquícios securitários vão ganhando contornos cada vez mais explícitos. Ao invés de se investir em políticas de igualdade, de educação para a promoção de direitos desde criança, responde-se com políticas absurdas ao arrepio da história: penalização das vítimas em vez de empoderá-las; maior liberdade para os predadores continuarem a agir, em vez de criminalizá-los.

A segregação e a guetização são contranatura e em contraciclo com a história da Humanidade. Rosa Parks naquele 1 de Dezembro de 1955 levantou a voz para recusar dar o seu lugar no autocarro a um branco. Foi o começo dum processo contra a segregação racial nos EUA no qual Martin Luther King teve um papel destacado como líder, mas foi uma simples costureira no regresso a casa depois de um dia de trabalho que fez mexer o status quo. O movimento vigoroso que se seguiu naquele país aboliu o apartheid que proibia brancos e negros de frequentarem os mesmos espaços, de utilizarem os mesmos serviços. Na África do Sul a luta de Nelson Mandela foi também contra o odioso regime de apartheid e a sua luta abnegada faz parte do património da evolução da história da Humanidade no seu caminho pela liberdade e contra o preconceito.

A história das mulheres e das feministas é um longo caminho feito de perseverança e de muita luta e inscreve-se também nesse património da história da Humanidade em busca da Igualdade e da Liberdade. As mulheres não querem ser excluídas nem tratadas como menores que precisam ser protegidas por alguém ou de algum perigo exterior. Querem ser tratadas como iguais, querem ter liberdade para desenvolverem as suas potencialidades, querem decidir sobre os seus destinos, sobre a sua vida. Querem ser cidadãs; não querem ser vítimas. Por isso têm lutado e continuarão a fazê-lo.

O direito à segurança para todos e todas é um direito básico. Andar na rua a qualquer hora do dia ou da noite sem medo de ser molestada porque se é mulher; andar em transportes públicos sem medo de ser abusada ou agredida sexualmente porque se é mulher; frequentar livremente um espaço público sem receio de ser incomodada; ser livre de vestir a roupa que entender sem receio de ser julgada ou agredida por alguém que se acha superior e com direito a julgar ou a gredir porque é homem! Por isso, carruagens exclusivas para mulheres Não e Não! Espaços próprios e “seguros”  para mulheres em parques de estacionamento Não e Não! Nem na Europa nem no resto do Mundo!

Volto ao princípio do que escrevi. Eva Anadón, uma mulher espanhola a trabalhar com o Secretariado Internacional da Marcha Mundial das Mulheres em Maputo foi presa pelas autoridades moçambicanas na sequência de um teatro de rua em que se insurgia contra o decreto governamental que proibe as alunas de usarem saias curtas. Posteriormente, foi expulsa de Moçambique apesar de estar legalmente a trabalhar no país, o que é de uma enorme violência e arbitrariedade. Que crime cometeu Eva Anadón? O lutar contra o controlo dos corpos? O lutar pela emancipação das mulheres e pelo seu empoderamento? Lamentavelmente, as autoridades nada fazem contra o descarado e abusivo assédio e violência machista nos “chapas” ou nos autocarros em Maputo, reprimindo os abusadores sexuais que toda a gente sabe que existem e que actuam impunemente. Como escreveu Eva Anadón, “ A forma de parar com o assédio sexual nas escolas nao é controlar o comprimento das saias!!!! É fazer cumprir a lei e criminalizar os agressores!!!! Basta de controle dos nossos corpos!! Chega de criminalizar as mulheres pela violência que elas próprias sofrem!!!”.

Afinal, enquanto os predadores continuam à solta, protegidos pelo Estado com leis e espaços de exclusão, as vítimas terão que continuar a lutar para deixarem de ser violadas, molestadas, assediadas, maltratadas, abusadas, agredidas, injuriadas, silenciadas, segregadas, presas, discriminadas, assassinadas. Porque o estatuto delas não é de vítimas, mas de mulheres que querem ser livres.
Almerinda Bento - UMAR
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 7 de Abril de 2016
 

quarta-feira, 23 de março de 2016

Espaço RecriArte


“ NÓS SOMOS A NOSSA MAIOR CRIAÇÃO”

 
O espaço “RecriArte” é um espaço aberto que foi criado com o objectivo de facilitar a troca de experiências, permitir novas formas de expressão, e o desenvolvimento do auto e hetero-conhecimento, promovendo momentos de relaxamento, escuta e diálogo, através da arte, tendo como fim o desenvolvimento humano.

A quem se destina: associadas e utentes da UMAR Açores e Rede de Apoio Integrado à Mulher da Ilha Terceira.

Para inscrever-se e obter mais informações contacte UMAR Açores – Delegação da ilha Terceira:
Telefone: 295 217 860 / Telemóvel: 968 687 479 / Email: umarterceira@gmail.com

Início a 5 de Abril, todas as 3ª(s) feiras das 15:30h às 17:00h na Casa do Sal / Oficina D´Angra.

“A arte é usada como meio expressivo e criativo, para a catarse de sentimentos, desvalorizando a obra em si” Liebmann (2000).
 
 

segunda-feira, 7 de março de 2016

Oficina de Teatro Fórum – Teatro d@ Oprimid@

CONVITE
para
Oficina de Teatro Fórum – Teatro d@ Oprimid@
Aos Sábados das 15:30 às 19:30h
de 19 Março a 25 de Abril de 2016 (exceto a 16/04/2016)
na Casa do Sal / Oficina D´Angra
Estrada Gaspar Côrte-Real em Angra do Heroísmo
 
 
O que é o Teatro do/a Oprimido/a?
O Teatro d@ Oprimid@ foi desenvolvido por Augusto Boal no Brasil, em meados da década de 60, e é hoje praticado em mais de 70 países.
Este tipo de teatro consiste na formação de grupos populares para que, através de técnicas teatrais, possam debater soluções para os problemas do seu meio social.
A pessoa representa o seu próprio papel, analisa as suas próprias acções.
O objectivo passa sobretudo por disponibilizar um espaço de encontro entre as cidadãs e cidadãos para que possam partilhar problemas e opressões e posteriormente expô-los à comunidade, através de um teatro fórum, para que esta seja mais consciente e informada, tendo em vista sempre a mudança social.
Para Boal: “aquele que transforma as palavras em versos transforma-se em poeta; aquele que transforma o barro em estátua transforma-se em escultor; ao transformar as relações sociais e humanas apresentadas em uma cena de teatro, transforma-se em cidadão/ã”.
 
Dinamizadora:
Raquel Félix Fontes, psicóloga e formadora na UMAR Açores, pós-graduada em Desenvolvimento Humano pelas Artes Expressivas pelo ISPA Instituto Universitário. Participou em várias Oficinas de Teatro d@ Oprimid@ e de Clown.
 
A iniciativa é gratuita e aberta ao público em geral.
 
Participe e ajude-nos a divulgar!
Obrigada
 
 
 

Estudo da UMAR sobre a violência no namoro

Um em cada seis jovens acha normal forçar relações sexuais
 
 
A UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta apresentou novos dados do trabalho de investigação que está a realizar sobre a violência no namoro. Os resultados indicam que há “ideias de poder e controlo” enraizadas, mas a sociedade está mais atenta e há mais denúncias
A Associação está preocupada com o facto de 22% dos jovens aceitarem as manifestações de vários tipos de violência registadas em relações de intimidade.
Foram inquiridos 2500 jovens, com idades entre os 12 e os 18 anos, e os resultados que se obtiveram demonstram quadros comportamentais e ideias consideradas inquietantes.
O estudo apresentado pela UMAR a 12 de Fevereiro, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, distingue três tipos de violência: psicológica; física; e sexual. No que à violência sexual diz respeito, 32,5% dos rapazes (em oposição a 14,5% das raparigas) acham normal que se force as relações sexuais – uma média de 16%, considerando todos os inquiridos.
O quadro da violência sexual não inclui apenas as relações sexuais forçadas, nele cabendo também uma série de comportamentos sexuais definidos como violentos que 23% dos inquiridos consideraram legítimos. Ainda que quase um quarto dos jovens portugueses aceitem a "normalidade" deste tipo de agressão, só 4,5% assumem terem sido vítima desses comportamentos.
A violência psicológica é encarada como aceitável por quase um quarto dos jovens portugueses, e 8,5% consideram já ter sido vítima dela. Já a violência física é menos tolerada pelos jovens, sendo ainda considerada legítima por 9% dos inquiridos e com 5% destes a assumirem terem sido alvo de agressões.
Este trabalho de investigação, enquadra-se num programa de prevenção da violência, e não se resumiu à realização de inquéritos e desenvolvimento do estudo apresentado. A UMAR realizou um conjunto de sessões de sensibilização para prevenir a violência junto dos jovens e foi durante essas acções que detectaram “quão enraizadas estão as ideias de poder e controlo”, frisou Ana Guerreiro. “É difícil analisar estes números, e mais ainda ter os jovens à frente e constatar estes comportamentos”.
As agressões entre namorados, e também entre ex-namorados, só foram incluídas no âmbito do crime de violência doméstica, previsto no Código Penal, em Fevereiro de 2013. A Polícia de Segurança Pública recebeu em 2015 mais queixas por violência no namoro do que por violência entre cônjuges, mas 77% dos inquéritos abertos pelo Ministério Público por este tipo de crime são arquivados, na maioria das vezes por falta de provas. O relatório anual do Ministério da Administração Interna descreve o destino dos poucos casos que conseguem chegar às salas dos tribunais: “De um total de 2954 sentenças transitadas em julgado entre 2012 e 2014, cerca de 58% resultaram em condenação e cerca de 42% em absolvição. Na maioria das condenações (96%) a pena de prisão foi suspensa”.
Para Maria José Magalhães, presidente da UMAR, tudo isto é produto de uma cultura que "está na base do femicídio, da violência doméstica, da falta de respeito pelos direitos humanos em geral”. Na última década, morreram 398 mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal.
 
Fontes: www.umarfeminismos.org e texto de Zita Moura / Jornal Público
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 3 de Março de 2016