quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Pressões do mundo laboral e desvalorização da participação paterna pelos empregadores

 
As licenças parentais por parte dos homens
 
 
 
Os constrangimentos impostos pelo mercado de trabalho são evocados, de forma recorrente, para explicar a subutilização das licenças parentais por parte dos homens.
Apesar de a lei e a sociedade tenderem a reconhecer progressivamente a necessidade e a importância do envolvimento da figura paterna na vida dos seus filhos e das suas filhas, a verdade é que muitos homens partilham a percepção de que não podem usufruir destes direitos.
Existe a possibilidade do benefício de licenças e baixas associadas ao desempenho parental, mas são poucos os homens que sentem que têm espaço, nos seus empregos, para usufruir destes direitos consagrados na lei.
Evidenciam-se obstáculos e constrangimentos associados ao desempenho envolvido da paternidade e observam-se tensões e pressões colocadas sobre os homens para que não usufruam dos direitos previstos na lei.
São identificáveis algumas especificidades relacionadas com o tipo de vínculo laboral, reconhecendo-se que vínculos precários e instáveis inibem a opção dos homens de gozarem estas licenças.
Os níveis de pressão, associados a diferentes contextos de trabalho, revelam a ideia de que o meio empresarial é mais adverso ao gozo deste tipo de licenças do que o emprego público.
A percepção de que os homens sofrem mais pressões do que as mulheres para não gozarem as licenças associadas ao nascimento dos seus filhos e das suas filhas é uma evidência. Estas pressões aparecem associadas à ideia de que o papel do pai no cuidado das crianças, nos primeiros tempos de vida, é desvalorizado e secundarizado em relação ao papel da mãe.
A mãe é vista como indispensável e insubstituível e a presença do pai é frequentemente entendida como secundária. O pai é visto, no máximo, como tendo um papel de suporte e não enquanto protagonista dos cuidados das crianças.
Apesar de as mudanças importantes que se observam no lugar das mulheres na sociedade e no lugar dos homens na família, persiste uma divisão estereotipada dos papéis atribuídos a umas e a outros. Há diferentes expectativas relativamente ao papel dos homens e das mulheres no exercício das funções parentais. O reconhecimento da persistência de valorizações diferenciadas, relativamente à importância da presença de cada um dos progenitores, é incontroversa.
 
Fonte: Projecto “Papá dá licença? Por uma parentalidade partilhada”
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no jornal Diário Insular de 26 de Fevereiro de 2014.
 
 

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